As Bruxas

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Olá caro padawan medieval! tudo bem? Vamos com a gente conhecer um pouco sobre as bruxas, magias e a relação que a sociedade medieval tinha com elas? Então segue a leitura abaixo.

Bem, então de início, vamos logo explicar nossa tirinha lá do Twitter não é mesmo? O gif é de uma cena do filme de comédia Monty Python em busca do cálice sagrado (1975) do qual mostra um julgamento de uma mulher acusada de ser uma bruxa e homem está questionando a plateia se aquela mulher é mesmo uma bruxa. Para nós, o que interessa agora, é falar um pouco dessa personagem do período medieval, como eram caracterizadas, e como a sociedade medieval reagia a elas (E sim, muitas vezes eram com fogo mesmo)

De início, importante relembrar o contexto da mentalidade do homem no medievo que era marcado pela pela religião católica, então, algumas características atribuídas as Bruxas partia de uma visão cristã, que acreditava no sobrenatural, da força das trevas e na ação de Satã. Não só isso, mas cabe a nós relembrar que o período da idade média, foi um período de de medo, seja com invasões, guerras, peste, doenças, fomes, da morte e do inferno. Acreditavam que a bruxaria era causa de várias catástrofes naturais (fome, epidemias, tempestades, impotência, infertilidade, crianças natimortas e mortalidade infantil) Os itens do bruxos era constituída por unguentos, poções, filtros, sortilégios, amuletos e imagens de cera.

Na Europa ocidental os bruxos eram vistos como servos do Diabo. Era descrito que eles faziam pacto com o Diabo e renunciavam o cristianismo e se alistando no serviço de Satã. Eles se reuniam em sabás regulares, dos quais haviam canibalismo, orgias e paródias blasfemas dos cultos cristão. Esses Bruxos, possuíam “familiares” animais, desfrutavam do poder de voar e às vezes da capacidade de mudar de forma e podiam usar o poder do mal, e faziam parte de uma conspiração satânica visando acabar com o cristianismo. Esse era o pensamento a respeitos dos Bruxos. Os heréticos eram acusados de bruxarias, comunidades inteiras que adoram o Diabo e faziam cultos satânicos. Os lugares onde a bruxaria eram mais fortes, eram na França, nos países Baixos (Holanda), no norte da Itália e na Renânia, justamente nos lugares onde a heresia era mais forte.

Houveram poucos julgamentos de bruxaria no período de 1300 a 1500 porque não se tinha uma instituição e uma estrutura formal como a que surgiu nos séculos XVI e XVII, então, era um sistema acusatório, do qual uma pessoa acusava outra e fornecendo provas e buscando convencer o juiz. Caso não desse certo provar que o outro era bruxo, poderia o acusador recorrer ao fogo, água ou combate. Geralmente, as vítimas de bruxaria tendiam a fazer justiça com as próprias mãos e eram frequentes o uso de linchamentos.

Podemos dizer que, as acusações de bruxaria eram geralmente levantas por vizinhos indispostos contra mulheres específicas: as velhas, as solitárias, as impopulares, as neuróticas, as insanas, as mal-humoradas, as promíscuas, as praticantes de medicina popular ou parteiras, mulheres que por motivos variados, haviam se tornado o alvo local. A conspiração satânica foi uma criação de intelectuais, teólogos e juristas católicos que misturava antigas crenças populares, magia erudita e bruxaria rural e enfatizaram a ideia da destruição do cristianismo. As bruxas no período medieval, eram os bodes expiatórios perfeitos, uma minoria inventada, e pronta pra ser usada contra aquelas que discordassem dos dogmas da Igreja, dos quais usavam o terror, a tortura, para construir uma realidade sobre essas concepções.

Mas e aí padawan, esperamos que tenha gostado de conhecer um pouco sobre as Bruxas da idade média. Não esqueça de ficar de olho no nosso Twitter para acompanhar novas postagens sobre o período medieval.

E aí bruxões, já aprenderam a conjurar aquele feitiço… o Winguardium LevioSA? hehe.

 

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Que medieval esteja com vocês!!!!

 

 

 

REFERÊNCIAS:
RICHARDS, Jeffrey. Sexo, desvio e danação_ as minorias na Idade Média. Zahar, 1993.

 

 

A Cavalaria

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Tudo bem jovem gafanhoto? Esperamos que sim. Ficou curioso para conhecer um pouco mais sobre a cavalaria no período medieval? Então vem com a gente!
Como é de praxe, o nosso gif do Twitter é de uma cena do filme Monty Python Em busca do cálice sagrado (1975) que mostra os nobres cavaleiros da tábula redonda, algo que em uma outra postagem, vamos abordar esses mitos de cavaleiros na idade média, mas, a cena faz uma alusão ao que vamos apresentar aqui para vocês, então, siga a leitura e vamos conhecer um pouco sobre A Cavalaria no medievo. 

É importante dizer que a Cavalaria na idade média não vai se caracterizar pelas pelo seu caráter militar profissional, mas ela vai ganhar outras facetas, e é isso que vamos mostrar aqui para vocês.

De início podemos dizer que ser cavaleiro não é era para qualquer. Ser cavaleiro entraria numa categoria para Reis, Príncipes e a nobreza que posteriormente irá controlar o acesso, então, o cavaleiro além de ser um guerreiro, também era um membro reconhecido pela aristocracia.
Entrando no aspecto militar, podemos falar das características do cavaleiro. Seu armamento era composto por um lança, espada para combate corpo a corpo, escudo com o brasão da casa, a loriga e a cota de malha que protege o seu corpo, o elmo e cônico para a proteção nasal, os cavalos de combates treinados e pelo menos um escudeiro que tinha o papel de cuidar das armas e dos cavalos do seu senhor. Há de salientar que, todos esses aparatos de luta, vão passar por modificações ao longo dos séculos XI até o século XIV e XV. Vão ganhar adaptações de celas, arreios, nas armas, na formação e na institucionalização da cavalaria.
A Cavalaria e igreja vão dar outra faceta para esses guerreiros no período medieval. Como já sabemos, o período medieval é marcado pela religião cristã e seus dogmas conduzem a forma de como as pessoas devem pensar e agir segundo as escrituras sagradas, sendo assim, a concepção é que neste período não pode haver violência e derramamento de sangue pois isso era contrário aos ensinamentos propostos por Jesus, e a cavalaria era um grupo de guerreiros que lutavam e guerreavam, usavam da violência, contudo, vai se criando justificativas para o uso da violência, da guerra e do derramamento de sangue. A defesa da terra santa, das relíquias sagradas, das igrejas, peregrinos e da cristandade como um todo, foi a justificativa para que a cavalaria pudesse guerrear e lutar para a defesa dos interesses da cristandade, ela servia tanto para resolver problemas internos como externos, ou seja, na luta contra o outro já citado na nossa postagem sobre os cruzados templários. Nesse momento a igreja começa a fazer parte da essência da formação do que teria sido a cavalaria. A igreja cria também o ideal de cavaleiro protetor dos inocentes, dos pobres, mulheres e dos fracos, um cavaleiro benevolente que defende os oprimidos e neles com feitos heroicos, o que fará de alguns serem cavaleiros errantes em busca de aventuras, algo que influenciará na criação dos romances de literatura.

Com o toque da igreja, e de sua ritualística, o adubamento será uma cerimônia de entrega de armas, ou seja, o jovem aprendiz que mostrou a sua capacidade, poderá se unir a seus companheiros de armas. Esse rito também significará uma passagem da adolescência para a fase adulta, e a cavalaria, vai conservar no seu interior reservando o acesso apenas aos filhos de seus membros. Nessa cerimônia são entregues as armas, noutras, dão lugar apenas as bênçãos e ressaltam os vínculos senhoriais e confiar a missão da cavalaria e serviço a igreja. O banho precede a cerimônia que será um simbolismo cristão que significa pureza. Cria-se nesse ritual o código de valores contido pela igreja, mas não é dela a sua originalidade. Há festejo e pompas que se ostentam nessa cerimônia, que ocasionavam despesas consideráveis, geralmente do filho mais velho.

Mas e aí, jovem cavaleiro Jedi, gostou de conhecer um pouco mais sobre A Cavalaria na idade média? Esperamos que sim. Não deixe de acompanhar o nosso Twitter e o site Maydievalbewithyou para conhecer um pouco sobre a idade média.

E você jovem cavaleiro… já está pensando em sair com a galera pelo mundo querendo “Sextar”?, então, chama a gente ora . Hahaha
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Que medieval esteja com você!!!!

 

 

Referências:
FINE, A. Cavalaria. LE GOFF, J.; SCHMITT, JC. Dicionário Temático do Ocidente Medieval. v.1 p. 185-199.

As relações feudo-vassálicas

Cerimonia de Vassalagem - BRASIL ESCOLA

Olá! Tudo bem? Bora lá tentar entender um pouco sobre as relações feudo-vassálicas no período medieval? Então, segue a leitura!

“The king in the north!” gritaram os vassalos após aceitar Jon Snow como rei do norte e prestar fidelidade a ele para enfrentar um inimigo nortenho em comum, os Boltons, isso você deve lembrar. A partir daí, irá surgir um novo inimigo, o maior deles para westeros, e claro, Jon Snow e seus vassalos irão enfrentar o inimigo que vem para lá das muralhas de gelo. O senhores feudais, assim como o rei do norte em Game Of Thrones, também tinha uma ameaça pairando sobre seus domínios, eram estes os Húngaros, Normandos e Árabes. Para enfrenta-los e proteger os seus domínios, o senhor feudal necessitava de ajuda militar, muitas vezes viriam desses vassalos, aqueles que prestam homenagem e fidelidade ao seu suserano.

A Idade Média é um período da história que durou mil anos e é caracterizada por um sistema peculiar chamado feudalismo e seus laços de vassalagem e servidão. Outra característica fundamental é a ruralização da sociedade. Para melhor compreensão, o autor escolheu a segunda metade do período para explicar como se deram as relações feudais de vassalagem porque durante a primeira metade ocorreu a consolidação do regime.
O feudalismo, como todas as relações humanas, não foi uniforme, porém por uma questão didática e pelo volume de fontes históricas torna-se impossível estudar por completo todas as regiões da Europa no período. As relações de vassalagem e servidão são diversas, assim como os ‘escravismos’. Em cada região, em cada povo, em cada feudo, para cada vassalo ou servo havia uma relação vassálica ou feudo-vassálica diferente.
A relação vassálica iniciou-se na época carolíngia, onde o rei procura a fidelidade dos mais influentes, aristocratas, dando-lhes “honras” principalmente governo de províncias. Institui uma “hierarquia entre iguais”, (p. 123) onde o vassalo se engaja a servir seu senhor de acordo com o costume feudal. O senhor feudal, por muitas vezes, era vassalo de outro senhor, e assim sucessivamente até o monarca que, a princípio seria o dono de toda a terra.
As relações de vassalagem asseguravam uma estruturação social para os nobres. Segundo o autor, “eram restritas apenas a uma porção ínfima da população cerca de 1% a 2% e asseguravam a distribuição do poder no seio da aristocracia”. (p. 122) Portanto, as relações vassálicas não são a base de estratificação social, porém garantem a obrigação militar dos vassalos para com seus senhores. Mas surgem dificuldades quando um nobre presta homenagens a diversos senhores diferentes, pois os interesses dos senhores eram distintos em muitos casos.
As relações referentes aos camponeses eram feudo-vassálicas, diferente da anterior por dizer respeito ao uso da terra e não necessariamente às obrigações militares dos nobres. As relações feudo-vassálicas se situavam na obrigação de fornecer ao senhor excedentes agrícolas e servir como soldado nas empreitadas militares do senhor. Abaixo temos uma representação dessa hierarquia baseada na dependência e na proteção:
Esquema de vassalagem

Na solenidade, membros da Igreja e outras testemunhas se colocavam presentes no momento em que o vassalo jurava fidelidade, a prestação de serviço militar e auxílio sempre que o suserano apresentasse alguma necessidade. Em troca, o suserano garantia ao seu vassalo, o uso de domínio de terras, o direito de cobrança de pedágio em alguma localidade do feudo ou o exercício de um cargo. Era dessa forma que a nova relação social entre nobre estava firmada. Para que a verdade e a seriedade fossem conferidas à situação, o vassalo deveria jurar a sua fidelidade na presença de relíquias sagradas de natureza religiosa. Desse modo, em tempos de forte devoção, o acordo deveria honrar aqueles ícones que “emprestavam” sua sacralidade à solenidade. Além disso, a conjunção carnal, feita por meio de um beijo, também reforçava uma situação de reciprocidade entre o suserano e o vassalo. O corpo era então empregado como instrumento simbólico de uma séria comunhão.
O feudo, porém pode ser considerado um direito senhorial, ou particular, exercendo a justiça e cobrando impostos, taxas ou pedágios. O rei é proprietário da terra, porém como direito senhorial, passa-se o poder ao nobre, mas com o uso da terra quem se faz dono é o camponês que a transmite aos seus descendentes, no entanto há taxas a serem pagas ao senhor que garante ao camponês a paz e a não destruição das plantações.
Plantações essas que garantiam a renda dos próprios senhores, pois o excedente agrícola era a sua principal fonte de numerários. Dessa renda, parte era destinada aos seus senhores mais ricos, sucessivamente até o monarca. O monarca, segundo Perry Anderson, era “suserano feudal de seus vassalos” e “seus recursos econômicos provinham quase que exclusivamente dos seus domínios pessoais enquanto senhor.” (p 147) Porém cobrava contribuições essencialmente militares de seus vassalos.
Uma concessão feita ao vassalo deveria ser retomada quando este morresse, porém a terra é repassada aos seus descendentes, o que faz com que os filhos do vassalo preste também homenagem ao senhor. Por esta razão, o senhor esforça-se continuamente em manter as obrigações vassálicas. No entanto, o feudo parece pertencer à família do vassalo que se permite, às vezes, vendê-lo. Porém o senhor mantém o direito de punir os vassalos por suas faltas até mesmo com o confisco do feudo.
Como podemos observar, as relações vassálicas no período medieval eram bastante complexas, uma rede de dependência se estabelecia de acordo com as necessidades dessa sociedade, portanto, cabe a nós lembrar que essas relações não foram homogêneas e ao longo desse período sofreu modificações.

Mas, e aí caro padawan medieval, gostou de saber um pouco sobre as relações de poder, submissão e dependência, que foi um dos pilares do mundo medieval? Esperamos que sim! Não deixe de nos acompanhar no Twitter para ficar por dentro dos novos conteúdos aqui na página maydieval be with you.

Mas, lembre-se, ao sair por aí com seus amigos/vassalos em busca de um rolê diferenciado, lembre-se do Robb Stark, porquê, “Os Freys e Boltons vemos, costumes não sabemos.” MADRUGA, Stark.  Hahaha.

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Maydieval Be With You!!!!

 

Referência:
BASCHET, Jerome. A constituição do senhorio e a relação de dominium. In. A civilização Feudal.

 

 

 

 

As profissões na Idade Média

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Olá caro padawan medieval, tudo bem? Estais pronto para conhecer um pouco mais sobre as profissões na alta e na baixa idade média? Então vem com a gente!

Bem, aquele cidadão que você viu no nosso Twitter vendendo churros, nada tem de medieval, muito menos está feliz exercendo o seu trabalho. Seu Madruga, trabalha enquanto senti tédio e faz caretas hilárias, talvez nesse aspecto se assemelhe com o homem no medievo, saindo um pouco dessas semelhanças, temos uma cena muito engraçada desse seriado que fez parte da vida de muito brasileiro não mesmo?

Há de se iniciar a discussão, e antes de adentrar no assunto principal, relembramos que o período medieval foi marcado por uma forma de pensar ou uma mentalidade quase que coletiva calcada na visão de mundo teológica, ou seja, seguindo conceitos divinos  para explicar o mundo em que viviam e que veio até mesmo impactar na forma de olhar com relação ao trabalho e de se relacionar com ele. Pois bem, no período que corresponde a alta idade média, ou seja, século II e III e que vai até o  ano X, temos várias profissões exercidas e muitas delas condenadas pelo clérigo. Listaremos aqui as profissões que formam categorias desprezadas: Estalajadeiros, carniceiros, saltimbancos, histriões, mágicos, alquimistas, médicos, cirurgiões, soldados, rufiões, prostitutas, notários, mercadores, pisoeiros, tecelões, correeiros, tintureiros, pasteleiros, sapateiros, jardineiros, pintores, pescadores, barbeiros, bailos, guardas campestres, guardas aduaneiros, cambistas, alfaiates, perfumistas, tripeiros, moleiros, etc.
Algumas dessas profissões se enquadram numa forma primitiva de pensamento medieval do qual resultava nos tabus dessa sociedade. Por exemplo, atividades como: barbeiros, carrascos, médicas, cirurgiões, soldados, ou boticários que faziam sangria, todos estes esbarravam no tabu de sangue, ou a sua aversão. Outro tabu será o dá impureza a sujidade, ou seja, profissões que os deixam sujos ao fazê-la, dentre estas estão: Os pisoeiros, os tintureiros, cozinheiros, operários têxteis, lavadeiros de loiça. O tabu do dinheiro, que era o terror a moeda de metal, dos quais não eram bem vistos pelos teólogos, logo profissões como: Mercadores, cambistas, usurários e prostitutas recebem estimulo de hostilidade dos clérigos, ou seja, lorpe lucrum, dinheiro mal ganho.
A mentalidade coberta pelo cristianismo vai alargar ainda mais a lista de profissões desprezadas ou proibidas, já que, como vimos anteriormente, dificilmente se pode exêrce-la sem cair em algum pecado, veja só: A luxúria, foi o motivo de condenação sobre os estalajadeiros e rendeiros de estufas que eram mal frequentados, outros como os Saltimbancos que segundo a moral da época faziam danças obscenas, os taberneiros que viviam de renda tripla sobre o vinho, o jogo e a dança, bem como as operárias têxteis acusadas de formarem os grupos de prostituição. Outras condenações como a gula, caiam obviamente sobre o cozinheiro. A avareza e o orgulho, recaia sobre os soldados. Nós podemos perceber claramente que todas essas profissões contidas no index (lista) são severamente condenadas por se oporem as tendências ou dogmas mais essências do cristianismo. Contudo, na baixa idade média (após o ano X), ou seja, século XI e XII uma mudança de mentalidade sobre algumas profissões após ocorrerem revoluções na economia e no espaço social que resultou no desenvolvimento urbano, e na divisão do trabalho e a partir daí nascem ou crescem novas profissões e novas categorias profissionais e será a escolásticas que colocará o método de distinção  que vão separar o que é lícito ou ilícito no exercer das profissões. Com essa mudança de mentalidade, profissões que continuaram sendo condenadas como as prostitutas e os saltimbancos, foram logo banidas dessa sociedade cristã, bem como excluirá dessas mesma os vagabundos e os vadios do qual formarão a família diaboli (Família do diabo). Mas, algumas justificativas surgiram para a necessidade de ter outras profissões baseada no bem comum, foram estas os mercadores, as oficinas especializadas, os fabricantes de armas, os mestres e os professores. Voltando a falar das profissões que continuaram a ser “perigosas” três delas continuaram sendo demonizadas nessa sociedade, o primeiro são os Saltimbancos, os mercadores e as prostitutas. Comecemos então pelos mercadores, este que tinha várias consequências que por muito tempo não acreditava ter desculpa para exercê-la, e esse mercador era imobilizado pelo dinheiro e o lucro, ou seja, a usura, mas a necessidade dessa atividade fez com que ela fosse tolerável já que havia a necessidade dos produtos, sendo assim, eles poderiam receber pelo trabalho prestado. Falemos agora das prostitutas e o problema da sua legitimidade sobre o ganho, essa sem dúvida é a categoria considerada mais infame. Essas mulheres pecavam ao alugar o corpo e fornecer o trabalho, ou seja, ela age mal sendo prostituta, mas deve receber os benefícios da prostituição, contudo, esse dinheiro não deve ser guardado pois advém do pecado, ela deve doa-lo a igreja ou as pobres. Os Saltimbacos, no século XIII, se dividem em três espécies, os acrobatas, os parasitas da corte e os músicos. Os Acrobatas são aqueles que se entregam as vergonhosas contorções, que se despem sem pudor ou se vestem horrorosos. Os parasitas da corte vivem nos círculos dos nobres que se multiplicam em propósitos caluniosos, inúteis e servindo apenas para caluniar. Os músicos, tinham como finalidade encantar o público. Estes últimos, os parasitas da corte e os acrobatas tinham suas profissões consideradas ilícitas, diferente dos músicos que tem lícito o seu trabalho, e essa abertura, vai facilitar que outros saltimbancos se introduzam no mundo das profissões.
Nós podemos perceber a mudança de mentalidade com relação ao trabalho desde a alta idade média até a baixa idade média, e fatores como as transformações econômicas impuseram mudanças mais ou menos radicais sobre o que era lícito ou ilícito no exercer do trabalho. Algumas profissões deixaram de ser ilícitas, mas continuaram a ser olhada de forma negativa pela sociedade e acabaram sendo toleradas pela necessidade que na mesma medida que necessita da oferta do serviço, também a condena.

Mas, e aí, gostou de conhecer um pouco mais sobre as profissões e como se deu essas relações de trabalho e de convivência? Esperamos que sim.

Ah! Acho que você já viu algum grupo de Saltimbancos por aí, e se por acaso encontrar algum por aí, cuidado com as mãos haha…
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Que medieval esteja com você!!!

 

 

Referências:
LE GOFF, Jacques. Profissões lícitas e profissões ilícitas no Ocidente medieval. In. Para um novo conceito de Idade Média, 1980.

Herança Trovadoresca Na Música Popular Brasileira.

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Olá pessoal, tudo bem?

Bem, para iniciar a discussão, escolhemos a imagem do pica-pau lá no Twitter para fazermos uma analogia com os trovadores do período medieval, então, como vocês bem lembram, o pica-pau seque galopando com o seu pé de pano tocando e cantando uma música sobre o seu estimado amigo, algo que os Trovadores do período medieval faziam. Lembram da nossa publicação sobre os trovadores do período medieval? Vocês sabiam que muitas daquelas cantigas inspiram várias músicas que são compostas/tocadas na atualidade? Pois bem, o objetivo dessa nova postagem vai ser mostrar justamente como alguns compositores brasileiros se inspiraram nas cantigas medievais e criaram suas próprias músicas. Para isso, utilizaremos o artigo de Gabriel Rodrigo Andrade e Valda Suely da Silva Verri, intitulado “DA POESIA MEDIEVAL À MODERNA: DIÁLOGOS ENTRE CANTIGAS DE AMIGO E LETRAS DE CHICO BUARQUE”, que fala das influências das cantigas de amigos sobre as músicas de Chico Buarque.
Mas qual é a ligação entre Chico Buarque e a poesia medieval?
Bem, antes de respondermos essa pergunta vamos fazer um pequeno resumo sobre o que são as cantigas. Para aqueles que quiserem conhecer mais profundamente, é só darem uma olhadinha em nossa outra postagem que citamos no início do texto. Lets go!
No período medieval, os poemas não eram declarados ou lidos, mas cantados para o público da Corte. Por este motivo, os textos desse período são chamados de cantigas. Elas se classificam em dois grupos: as Cantigas Líricas e as Satíricas. As Líricas se separam em Cantigas de Amor e Cantigas de Amigos. As Satíricas se dividem em Cantigas de Escárnio e Cantigas de Mal Dizer. Nesta postagem, serão discutidas apenas as Cantigas de amigo, uma vez que consideramos que são estas que mais se identificam com as letras de Chico Buarque.
A princípio, faremos uma análise da Cantiga de Amigo intitulada “Mar de Vigo”, de Martim Codax:

Ondas do mar de vigo

Se vires meu namorado!

Por Deus, (digam) se irá cedo!

Ondas do mar revolto,

Se vires meu namorado!

Por Deus, (digam) se virá cedo!

Se vires meu namorado,

Aquele por quem eu suspiro!

Por Deus, (digam) se virá cedo!

Se vires meu namorado

Por quem tenho grande temor!

Por Deus, (digam) se virá cedo!

Nessa Cantiga, podemos notar que o eu lírico é uma mulher que espera ansiosamente pelo seu amigo. Esta mulher questiona as ondas do mar de Vigo sobre o regresso do seu amado, mostrando uma expressão de sofrimento e/ou angústia de sua parte. Embora seja uma cantiga feminina que expressa o drama de uma mulher, o compositor é um trovador que se passa por uma alma feminina. Vamos observar agora observar um trecho da música “olhos nos olhos” de Chico Buarque:

Quando você me deixou, meu bem
Me disse pra ser feliz e passar bem
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci
Mas depois, como era de costume, obedeci

Quando você me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer
Olhos nos olhos
Quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você eu passo bem demais

E que venho até remoçando
Me pego cantando, sem mais, nem por quê
Tantas águas rolaram
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você

Quando talvez precisar de mim
Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim
Olhos nos olhos
Quero ver o que você diz
Quero ver como suporta me ver tão feliz

Assim como na Cantiga de Amigo, essa música de Chico Buarque remete a uma temática amorosa que tem como eu lírico uma mulher que está sofrendo à espera do seu amado. Além disso, fala de saudades, fala de um amor não correspondido, enfim, apresenta características que apontam semelhanças com as Cantigas de Amigo da época medieval.
Mas digam aí, vocês já pararam para pensar que muitas das músicas que escutamos na atualidade podem ter sido baseadas nessas antigas cantigas trovadorescas? Acreditamos que esse exemplo de Chico Buarque seja essencial para observarmos o quanto essa cultura medieval ainda está impregnada na nossa sociedade atual, e que a musicalidade é um meio, entre tantos outros, no qual essa cultura pode se propagar.

REFERÊNCIAS:
ANDRADE, Gabriel Rodrigo & VERRI, Valda Suely da Silva. DA POESIA MEDIEVAL À MODERNA: Diálogos Entre Cantigas de Amigos e Letras de Chico Buarque. Rev. hist. comp., Rio de Janeiro, v. 10, n. 2, p. 37-66, 2016.
FRANCO JR, Hilário. Raízes medievais do Brasil. ​Revista USP​, n. 78, 2008. ( p. 80-104)

Cavaleiros Templários: Ordens religiosas e o combate contra o “Outro”

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Jovens nerds, tudo bem? Estão curiosos para conhecer um pouco  sobre  os Cavaleiros Templários? Então vem com a gente!

 Como já é de costume, relembremos o Gif que está no  twitter, nele vemos uma cena épica de O senhor dos anéis- O retorno do rei(2003), onde os exércitos de Gondor, Hojan, dos mortos das minas e dos Elfos se unem para livrar a terra média de Sauron e seu exército de Orcs. Então, fazendo uma pequena analogia entre essa parte do filme e da batalha, podemos associar, digamos, a mentalidade ou no pensar dos Templários, que tinham como missão livrar os reinos cristãos do domínio muçulmano através dos combates armados. O muçulmano neste caso seria o “Outro” inimigo de fé, o infiel. Objetivos parecidos, sim?.  Vamos à discussão principal!

Os Templários eram monges em um tempo de predomínio cristão, banqueiros quando o dinheiro era escasso e  guerreiros quando a igreja ordenava que os fiéis retomassem a Terra Santa. Em 1095, um grupo de nobres respondeu ao apelo do papa Urbano II para retomar Jerusalém, ocupada por muçulmanos desde o século VII. Com o sucesso da primeira cruzada, surgiu o Reino Latino de Jerusalém, uma ilha cristã que ia de Beirute a Gaza, cercada por inimigos religiosos de todos os lados. Em 1119, para garantir a segurança da cidade, 9 cavaleiros, sob o comando do Francês Hugo de Payns, receberam de Balduíno 2°, o rei do novo território, permissão para ocupar uma ala da Mesquita de Al-Aqsa, considerada o local do Templo de Salomão-daí o nome da organização que fundaram, Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão. O objetivo era defender os peregrinos cristãos a caminho de Jerusalém. A combinação de força e fé funcionou. Os templários eram temidos porque não costumavam recuar e lutavam com disposição rara. Muitos de seus grãos-mestres morreram em batalha. As sucessivas  vitórias militares levaram muitos nobres a aderir à ordem. Para isso, era preciso doar todos os bens, o que aumentou o patrimônio do grupo. Com tal poder, os Cavaleiros se viram em uma situação contraditória. Haviam feito votos de pobreza, no entanto, agora  viviam em castelos suntuosos, comiam e bebiam de tudo da mais alta qualidade. Parecem ter esquecido de seus votos, uma que eram  vistos frequentemente em tabernas e, por vezes, se envolviam em arruaças. Atitudes atípicas para monges, sim?. Criaram um sistema bancário semelhante ao que já era praticado em alguns feudos. Assim, os Cavaleiros Templários passaram donos de propriedades e fazer empréstimos aos reis. Justamente por esta atitude, acabaram perseguidos, vitimas de uma conspiração do rei da França, que os devia dinheiro e temia que estes fundassem seu próprio pais, pois já detinham grande quantidades de terras na França. Em 1304, o 23° grão-mentre da ordem, Jacques de Molay, convidado a se apresentar em Paris, foi recebido pelo rei Felipe- O Belo, o rei pediu que os templários aceitassem a fusão com hospitalários e se submetessem à sua liderança numa futura cruzada. Diante da recusa, Felipe mandou prender toda a cúpula da ordem.A partir de 1307, os líderes seriam seriam interrogados pela Inquisição. O papa Clemente 5° relutou em aceitar as acusações do rei francês, então Felipe, simplesmente mandou dezenas à fogueira.Em 1312 a ordem foi dissolvida. No entanto, documentos que se encontram na Biblioteca do Vaticano comprovam que a ordem nunca foi extinta, foi apenas suspensa pela igreja.

Uma história e tanto, não é mesmo? Mas e aí, gostou de conhecer um pouco sobre os cavaleiros templários e essa ordem religiosa presente em várias obras, seja nos games, nos filmes, novelas, etc.. ? Então, fique ligado na nossa página do Twitter e aqui no site, e sempre que você quiser lembrar um pouco da missão de fé dos cavaleiros templários, faça como o Marília Templária… ops! Mendonça e cante uma certa música…

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Que medieval esteja com você!

Referências:

READ, Piers Paul, 1941. Os Templários; tradução Marcos José da Cunha, Rio de Janeiro: Imago. Ed. 2001.

O Cemitério: A formação do espaço destinado aos mortos.

Olá, tudo bem?

Ficou curioso para saber um pouco mais sobre o espaço destinado aos mortos, ou seja, o que veio a se tornar o cemitério no período medieval? Então segue abaixo na leitura que vamos explicar melhor como se deu o início e a formação desse espaço.

A imagem do Twitter é uma das cenas mais icônicas do filme Monty Python Em Busca do Cálice Sagrado (1975), nela, nós observamos vários homens levando uma carroça cheia de corpos, enquanto isso um deles diz: “Bring out yer dead!” ou seja, “Tragam seus mortos!” eles são compradores de pessoas mortas e oferecem 0,9 centavos por cada corpo (Risos) bem, é um humor bizarro, mas divertido, e o que reparamos também nessa cena é uma bagunça, corpos no chão, dependurados, desorganização, uma imagem tanto hilária quanto caótica, mas, o filme é ambientado na idade média, então, será que aquela cena condiz com a realidade desse período? Bem, não é bem assim, e o Monty Python traz uma cena sátira e repleta de caos com relação aos mortos, contudo, vamos tentar explicar como foi surgindo um espaço do qual se destinava aos defuntos no período medieval.
Seguindo com o nosso tema, como já foi discutido em outra postagem aqui no site, o castelo no período medieval desempenhava várias funções, dentre elas: a defesa e a moradia. Vimos também que com o passar do tempo houve uma aproximação das habitações em torno deste castelo, justamente em busca de proteção das suas muralhas, e esse castelo tornou-se assim um aglomerado de convivência, um espaço para os vivos, mas, e os mortos? Para onde iam os corpos daqueles que morriam? Onde era o espaço dos mortos? Bem, e aí que entra em cena a Igreja que, em seu entorno, será um espaço destinados tanto para os vivos, como para os mortos.
O costume na antiguidade romana era de enterrar seus mortos fora das cidades e longe das habitações, pois os mortos eram considerados impuros. Essa tradição ainda foi mantida no período medieval, contudo, alguns fiéis sempre buscavam enterrar seus mortos próximo as relíquias sagradas da igreja. De início, a Igreja não tinha uma preocupação com práticas funerárias que segundo um dos grandes teólogos da Igreja, Santo Agostinho, considera essa prática apenas como um consolo aos vivos, mas que não tinha nenhum efeito com relação a salvação da alma. Após a época Carolíngia, e com o surgimento da liturgia dos defuntos, como as missas pelos mortos, ofício dos mortos e rituais funerários, começaram a surgir os primeiros espaços e lugares coletivos de sepultura, o que ainda não era uma regra, pois ainda existiam lugares fora desse espaço onde eram enterrados os mortos.
A partir do século XI, acelera o processo de transformação no que se diz respeitos aos lugares de sepultamento. Tem-se a criação dos cemitérios em torno da Igreja, e não penas em torno dela, mas também em seu interior, fazendo dela um espaço de reagrupamento dos mortos, mas não só deles, como também para os vivos. A Igreja nesse momento passa a se preocupar com as práticas fúnebres, bem como a sua exclusividade sobre ela e isso de modo sistemático, tornando-a um espaço importante e adquirindo um status social dentro da comunidade, e os cemitérios, um espaço sagrado. No que diz respeito ao cemitério e suas tumbas, algumas eram marcadas por cruzes fincadas no solo, sem distinção ou placa com inscrição de nomes, e em caso de falta de espaço para novos sepultamentos, a terra é revirada e os ossos são juntados em um dos lados da Igreja, indicando assim que a mesma pretendia ser um lugar coletivo.
Como podemos ver, o cemitério paroquial, é um lugar importante para a comunidade, não só para os vivos como também para os mortos, mas não se deve esquecer que esse espaço sagrado não era destino para excomungados, heréticos, infiéis, suicidas e crianças não batizadas, dos quais era negado o acesso ao cemitério paroquial, e neste caso essa Igreja acaba tendo também o seu lado excludente. Outro ponto sobre os espaços destinado aos mortos, é que ele também é um lugar animado, e todos os domingos é local para a presença de várias pessoas que vão fazer visitas, danças, e fazem desse lugar um refúgio, bem como um espaço para um mercado, para negócios, justiça, é de fato, um local para a vida coletiva, mas claro, nem todas as práticas são aceitas pelos clérigos e estes condenam algumas práticas.
Sobre os elementos principais que podem definir a paroquia a partir do século XI, são as fontes batismais, a arrecadação dos dízimos e o cemitério, ou seja, todos devem ser batizados para entrar para comunidade cristã, pagar as obrigações, e poder ser sepultado no cemitério para que, na outra vida, juntar-se a toda comunidade.
E aí, gostou de conhecer um pouco sobre a formação dos espaços destinados para os mortos, ou seja, os cemitérios? Então fica de olho no nosso Twitter e no site que em breve, abordaremos outros assuntos sobre o período medieval.

E você pequeno padawan gafanhoto, já sabe para onde seu corpo vai quando você deixar de fazer fisicamente parte desse mundo? Claro que sabe, pois você leu o código Jedi que diz: Não há morte, há a Força.  hehehe.
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Maydieval Be With You!!!

Referências:
BASCHET, Jérôme. A civilização feudal: do ano mil à colonização da América. São Paulo: Globo, 2006. (339-373)