O Cemitério: A formação do espaço destinado aos mortos.

Olá, tudo bem?

Ficou curioso para saber um pouco mais sobre o espaço destinado aos mortos, ou seja, o que veio a se tornar o cemitério no período medieval? Então segue abaixo na leitura que vamos explicar melhor como se deu o início e a formação desse espaço.

A imagem do Twitter é uma das cenas mais icônicas do filme Monty Python Em Busca do Cálice Sagrado (1975), nela, nós observamos vários homens levando uma carroça cheia de corpos, enquanto isso um deles diz: “Bring out yer dead!” ou seja, “Tragam seus mortos!” eles são compradores de pessoas mortas e oferecem 0,9 centavos por cada corpo (Risos) bem, é um humor bizarro, mas divertido, e o que reparamos também nessa cena é uma bagunça, corpos no chão, dependurados, desorganização, uma imagem tanto hilária quanto caótica, mas, o filme é ambientado na idade média, então, será que aquela cena condiz com a realidade desse período? Bem, não é bem assim, e o Monty Python traz uma cena sátira e repleta de caos com relação aos mortos, contudo, vamos tentar explicar como foi surgindo um espaço do qual se destinava aos defuntos no período medieval.
Seguindo com o nosso tema, como já foi discutido em outra postagem aqui no site, o castelo no período medieval desempenhava várias funções, dentre elas: a defesa e a moradia. Vimos também que com o passar do tempo houve uma aproximação das habitações em torno deste castelo, justamente em busca de proteção das suas muralhas, e esse castelo tornou-se assim um aglomerado de convivência, um espaço para os vivos, mas, e os mortos? Para onde iam os corpos daqueles que morriam? Onde era o espaço dos mortos? Bem, e aí que entra em cena a Igreja que, em seu entorno, será um espaço destinados tanto para os vivos, como para os mortos.
O costume na antiguidade romana era de enterrar seus mortos fora das cidades e longe das habitações, pois os mortos eram considerados impuros. Essa tradição ainda foi mantida no período medieval, contudo, alguns fiéis sempre buscavam enterrar seus mortos próximo as relíquias sagradas da igreja. De início, a Igreja não tinha uma preocupação com práticas funerárias que segundo um dos grandes teólogos da Igreja, Santo Agostinho, considera essa prática apenas como um consolo aos vivos, mas que não tinha nenhum efeito com relação a salvação da alma. Após a época Carolíngia, e com o surgimento da liturgia dos defuntos, como as missas pelos mortos, ofício dos mortos e rituais funerários, começaram a surgir os primeiros espaços e lugares coletivos de sepultura, o que ainda não era uma regra, pois ainda existiam lugares fora desse espaço onde eram enterrados os mortos.
A partir do século XI, acelera o processo de transformação no que se diz respeitos aos lugares de sepultamento. Tem-se a criação dos cemitérios em torno da Igreja, e não penas em torno dela, mas também em seu interior, fazendo dela um espaço de reagrupamento dos mortos, mas não só deles, como também para os vivos. A Igreja nesse momento passa a se preocupar com as práticas fúnebres, bem como a sua exclusividade sobre ela e isso de modo sistemático, tornando-a um espaço importante e adquirindo um status social dentro da comunidade, e os cemitérios, um espaço sagrado. No que diz respeito ao cemitério e suas tumbas, algumas eram marcadas por cruzes fincadas no solo, sem distinção ou placa com inscrição de nomes, e em caso de falta de espaço para novos sepultamentos, a terra é revirada e os ossos são juntados em um dos lados da Igreja, indicando assim que a mesma pretendia ser um lugar coletivo.
Como podemos ver, o cemitério paroquial, é um lugar importante para a comunidade, não só para os vivos como também para os mortos, mas não se deve esquecer que esse espaço sagrado não era destino para excomungados, heréticos, infiéis, suicidas e crianças não batizadas, dos quais era negado o acesso ao cemitério paroquial, e neste caso essa Igreja acaba tendo também o seu lado excludente. Outro ponto sobre os espaços destinado aos mortos, é que ele também é um lugar animado, e todos os domingos é local para a presença de várias pessoas que vão fazer visitas, danças, e fazem desse lugar um refúgio, bem como um espaço para um mercado, para negócios, justiça, é de fato, um local para a vida coletiva, mas claro, nem todas as práticas são aceitas pelos clérigos e estes condenam algumas práticas.
Sobre os elementos principais que podem definir a paroquia a partir do século XI, são as fontes batismais, a arrecadação dos dízimos e o cemitério, ou seja, todos devem ser batizados para entrar para comunidade cristã, pagar as obrigações, e poder ser sepultado no cemitério para que, na outra vida, juntar-se a toda comunidade.
E aí, gostou de conhecer um pouco sobre a formação dos espaços destinados para os mortos, ou seja, os cemitérios? Então fica de olho no nosso Twitter e no site que em breve, abordaremos outros assuntos sobre o período medieval.

E você pequeno padawan gafanhoto, já sabe para onde seu corpo vai quando você deixar de fazer fisicamente parte desse mundo? Claro que sabe, pois você leu o código Jedi que diz: Não há morte, há a Força.  hehehe.
giphy

Maydieval Be With You!!!

Referências:
BASCHET, Jérôme. A civilização feudal: do ano mil à colonização da América. São Paulo: Globo, 2006. (339-373)

Publicado por

maydievalbewithyou

Discente do curso de licenciatura em História pela UFRN/CERES, Caicó-RN. 2017.1

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