As profissões na Idade Média

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Olá caro padawan medieval, tudo bem? Estais pronto para conhecer um pouco mais sobre as profissões na alta e na baixa idade média? Então vem com a gente!

Bem, aquele cidadão que você viu no nosso Twitter vendendo churros, nada tem de medieval, muito menos está feliz exercendo o seu trabalho. Seu Madruga, trabalha enquanto senti tédio e faz caretas hilárias, talvez nesse aspecto se assemelhe com o homem no medievo, saindo um pouco dessas semelhanças, temos uma cena muito engraçada desse seriado que fez parte da vida de muito brasileiro não mesmo?

Há de se iniciar a discussão, e antes de adentrar no assunto principal, relembramos que o período medieval foi marcado por uma forma de pensar ou uma mentalidade quase que coletiva calcada na visão de mundo teológica, ou seja, seguindo conceitos divinos  para explicar o mundo em que viviam e que veio até mesmo impactar na forma de olhar com relação ao trabalho e de se relacionar com ele. Pois bem, no período que corresponde a alta idade média, ou seja, século II e III e que vai até o  ano X, temos várias profissões exercidas e muitas delas condenadas pelo clérigo. Listaremos aqui as profissões que formam categorias desprezadas: Estalajadeiros, carniceiros, saltimbancos, histriões, mágicos, alquimistas, médicos, cirurgiões, soldados, rufiões, prostitutas, notários, mercadores, pisoeiros, tecelões, correeiros, tintureiros, pasteleiros, sapateiros, jardineiros, pintores, pescadores, barbeiros, bailos, guardas campestres, guardas aduaneiros, cambistas, alfaiates, perfumistas, tripeiros, moleiros, etc.
Algumas dessas profissões se enquadram numa forma primitiva de pensamento medieval do qual resultava nos tabus dessa sociedade. Por exemplo, atividades como: barbeiros, carrascos, médicas, cirurgiões, soldados, ou boticários que faziam sangria, todos estes esbarravam no tabu de sangue, ou a sua aversão. Outro tabu será o dá impureza a sujidade, ou seja, profissões que os deixam sujos ao fazê-la, dentre estas estão: Os pisoeiros, os tintureiros, cozinheiros, operários têxteis, lavadeiros de loiça. O tabu do dinheiro, que era o terror a moeda de metal, dos quais não eram bem vistos pelos teólogos, logo profissões como: Mercadores, cambistas, usurários e prostitutas recebem estimulo de hostilidade dos clérigos, ou seja, lorpe lucrum, dinheiro mal ganho.
A mentalidade coberta pelo cristianismo vai alargar ainda mais a lista de profissões desprezadas ou proibidas, já que, como vimos anteriormente, dificilmente se pode exêrce-la sem cair em algum pecado, veja só: A luxúria, foi o motivo de condenação sobre os estalajadeiros e rendeiros de estufas que eram mal frequentados, outros como os Saltimbancos que segundo a moral da época faziam danças obscenas, os taberneiros que viviam de renda tripla sobre o vinho, o jogo e a dança, bem como as operárias têxteis acusadas de formarem os grupos de prostituição. Outras condenações como a gula, caiam obviamente sobre o cozinheiro. A avareza e o orgulho, recaia sobre os soldados. Nós podemos perceber claramente que todas essas profissões contidas no index (lista) são severamente condenadas por se oporem as tendências ou dogmas mais essências do cristianismo. Contudo, na baixa idade média (após o ano X), ou seja, século XI e XII uma mudança de mentalidade sobre algumas profissões após ocorrerem revoluções na economia e no espaço social que resultou no desenvolvimento urbano, e na divisão do trabalho e a partir daí nascem ou crescem novas profissões e novas categorias profissionais e será a escolásticas que colocará o método de distinção  que vão separar o que é lícito ou ilícito no exercer das profissões. Com essa mudança de mentalidade, profissões que continuaram sendo condenadas como as prostitutas e os saltimbancos, foram logo banidas dessa sociedade cristã, bem como excluirá dessas mesma os vagabundos e os vadios do qual formarão a família diaboli (Família do diabo). Mas, algumas justificativas surgiram para a necessidade de ter outras profissões baseada no bem comum, foram estas os mercadores, as oficinas especializadas, os fabricantes de armas, os mestres e os professores. Voltando a falar das profissões que continuaram a ser “perigosas” três delas continuaram sendo demonizadas nessa sociedade, o primeiro são os Saltimbancos, os mercadores e as prostitutas. Comecemos então pelos mercadores, este que tinha várias consequências que por muito tempo não acreditava ter desculpa para exercê-la, e esse mercador era imobilizado pelo dinheiro e o lucro, ou seja, a usura, mas a necessidade dessa atividade fez com que ela fosse tolerável já que havia a necessidade dos produtos, sendo assim, eles poderiam receber pelo trabalho prestado. Falemos agora das prostitutas e o problema da sua legitimidade sobre o ganho, essa sem dúvida é a categoria considerada mais infame. Essas mulheres pecavam ao alugar o corpo e fornecer o trabalho, ou seja, ela age mal sendo prostituta, mas deve receber os benefícios da prostituição, contudo, esse dinheiro não deve ser guardado pois advém do pecado, ela deve doa-lo a igreja ou as pobres. Os Saltimbacos, no século XIII, se dividem em três espécies, os acrobatas, os parasitas da corte e os músicos. Os Acrobatas são aqueles que se entregam as vergonhosas contorções, que se despem sem pudor ou se vestem horrorosos. Os parasitas da corte vivem nos círculos dos nobres que se multiplicam em propósitos caluniosos, inúteis e servindo apenas para caluniar. Os músicos, tinham como finalidade encantar o público. Estes últimos, os parasitas da corte e os acrobatas tinham suas profissões consideradas ilícitas, diferente dos músicos que tem lícito o seu trabalho, e essa abertura, vai facilitar que outros saltimbancos se introduzam no mundo das profissões.
Nós podemos perceber a mudança de mentalidade com relação ao trabalho desde a alta idade média até a baixa idade média, e fatores como as transformações econômicas impuseram mudanças mais ou menos radicais sobre o que era lícito ou ilícito no exercer do trabalho. Algumas profissões deixaram de ser ilícitas, mas continuaram a ser olhada de forma negativa pela sociedade e acabaram sendo toleradas pela necessidade que na mesma medida que necessita da oferta do serviço, também a condena.

Mas, e aí, gostou de conhecer um pouco mais sobre as profissões e como se deu essas relações de trabalho e de convivência? Esperamos que sim.

Ah! Acho que você já viu algum grupo de Saltimbancos por aí, e se por acaso encontrar algum por aí, cuidado com as mãos haha…
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Que medieval esteja com você!!!

 

 

Referências:
LE GOFF, Jacques. Profissões lícitas e profissões ilícitas no Ocidente medieval. In. Para um novo conceito de Idade Média, 1980.

Publicado por

maydievalbewithyou

Discente do curso de licenciatura em História pela UFRN/CERES, Caicó-RN. 2017.1

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