As Habitações

E aí, tudo tranquilo?
Curioso pra saber como eram as habitações onde viviam as pessoas no período medieval? Então vem com a gente!

Como de costume, vamos relembrar aquela cena (Gif) que foi colocada no Twitter. Trata-se de mais uma cena clássica de Star Wars, talvez uma das cenas mais lindas do cinema, o momento em que Luke Skywalker sai da casa e vai observar o pôr do sol duplo de Tatooine, tudo isso ao som da trilha sonora fantástica de John Williams.
Pois bem, dito isso, remetemos o assunto principal, as Habitações, onde moravam as pessoas no período medieval ou como eram as estruturas dessas moradias. A imagem acima do título dessa página mostra uma pequena casa, um resquício da estrutura do que foi um casebre de um camponês, ela se encontra no parque natural de Alvão Vila Real em Portugal.
Hoje, nós podemos observar toda a arquitetura, construções e as mais variadas formas de habitações em que o homem contemporâneo habita, não mesmo? Prédios, casas, mansões, casa de campo, casa em arvores, em container, dentre muitas outras. Bem, no período medieval, se tinha algumas habitações que refletiam, assim como é hoje, ao status social do indivíduo, então, se tinha a casa do agricultor (camponês) o indivíduo mais pobre, a casa do nobre, este já tinha mais condições, tanto em material como em títulos, e o palácio real e os castelos destinado aos reis, e serão essas as formas de habitações que vamos falar aqui.
Comecemos então pela casa do camponês, e para nos auxiliar, trouxemos a obra de Antonio de Oliveira Marques sobre a sociedade medieval portuguesa. A tradição romana de construções das casas permaneceu na alta e na baixa idade média, então as formas de se construir as habitações sofrem uma grande influência dos romanos. Uma forma rápida de si construir uma casa era usar pedras para fortalecer o alicerce, ou levantar as paredes direto do chão, e depois elevar as paredes com Taipa, ou seja, uma mistura de barro, galhos e folhas que serviam para construir as paredes, já para fazer o telhado da casa, utilizava-se o capim, também chamado de Colmo, já em algumas cidades, havia a possibilidade de ter casas coberta com um tipo de telha, a de colmo, remete aquela  que podemos ver na imagem do título. Sobre a estrutura no interior da casa do camponês, obedecia uma planta que não era complexa, e a casa tinha apenas um compartimento, neste caso, era a cozinha, onde toda a vida se concentrava em torno da lareira. Abaixo temos uma imagem representativa dessa habitação.

sociedade-medieval-16-728
Sobre o solar do nobre, e a medida em que o indivíduo tinha mais condições financeiras ele podia erguer sua moradia sobre plantas mais complexas, diferente da moradia do camponês. Sobre essa planta se construia vários compartimentos, contendo uma sala onde eram recebidas as pessoas, estrangeiros ou não. Outros compartimentos como as câmara de paramentos em que se costumava estar os moradores e alguns outros senhores do reino, outras câmaras como as de dormir, as de se vestir e o oratório. Além dessa complexidade nas divisões dos compartimentos, esses nobres podiam dispor de uma mobilia como as camas, mesas, cadeiras, guarda-roupa, tapetes de parede, cozinhas e utensílios domésticos. Com o passar do tempo, o fidalgo (filho de algo) o cavaleiro e o burguês tiveram exigência sobre as comodidades e acaba-se criando moradias bem mais complexas. Abaixo temos uma imagem da planta e do paço de Sinta o lugar onde moravam os nobres e membros da família real portuguesa em meados dos século XV.
palsintraPalacio-nacional-de-sintra.jpg
Falando dos castelos no período medieval, pode citar que essa construção desempenhava outras funções que a de moradia do senhor do castelo. Como dito na postagem sobre o medo, aqui na página, podemos perceber que era um período de tensões, invasões e conflitos. Com o passar do tempo, as casas que antes eram dispersas pelos campos foram se aproximando do castelo em busca de proteção das suas muralhas, surgia assim a necessidade das muralhas e assim se defender dos os inimigos. A planta do castelo também tinha uma estrutura complexa, com várias divisões, com salões, quartos destinados ao senhor do castelo e sua família, bem como os quartos de hospedes, cozinhas, estábulos, banheiros, capelas, pavilhões, armazéns, câmara de armas, torres de observação, fosso, e claro, no palácio dispunha-se de mobilia diversas e utensílios diversos. Portanto, dentre as muralhas que acercavam as casas, palácios e castelo, se tinha uma espécie de cidade murada com várias funções seja de moradia, pousada e defesa das pessoas contra os inimigos. Abaixo temos uma representação do que seria a estrutura do castelo no período medieval.
Medieval-castelo22 (1)

Mas e aí padawan medieval, espero que tenha gostado de saber um pouco sobre as Habitações no na idade média. E se por acaso você também sonha em ter um castelo só pra você assim como o Bronn, não deixe de acompanhar o nosso Twitter MaydievalBeWthYou, e claro, vir aqui na página e ver o conteúdo porque sempre tem um conhecimento esperando por você.
untitled-32

Que medieval esteja com você!

Referências
MARQUES, A. Oliveira A casa. In: A sociedade medieval portuguesa. 4 ed. Lisboa: Sá da Costa. p.63-86.
https://gastrossexual.blogspot.com.br/2013/03/tres-palacios-reais-da-regiao-de-lisboa.html acesso em 08/07/2018.
https://gastrossexual.blogspot.com.br/2013/03/tres-palacios-reais-da-regiao-de-lisboa.html acesso em 08/07/2018.
https://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&tbm=isch&source=hp&biw=1150&bih=631&ei=3mRCW-T4KYGrwATSjI7gBA&q=habita%C3%A7%C3%B5es+medievais+&oq=habita%C3%A7%C3%B5es+medievais+&gs_l=img.3…731.9829.0.9904.22.13.2.6.0.0.540.2395.0j3j2j1j1j1.8.0….0…1ac.1.64.img..6.5.1212…0.0.geD-11WFsBU#imgrc=UI1zC8D2MUnTOM: acessado em 08/07/2018.
http://fotosefactos.blogspot.com.br/2013/10/telhados-em-colmo-lamas-de-olo-vila-real.html acesso em 08/07/2018.

 

 

 

A alimentação na Idade Média

E aí caro padawan medieval, tudo blz? Sentiu curiosidade em saber como era a alimentação no período medieval, mas precisamente em Portugal? Então vamos entender um pouco sobre a cultura Portuguesa do século XIV, e a partir disso, tentar observar algumas das continuidades dessa cultura no nosso cotidiano, então, bora lá!
Já de início, aquelas pessoas em nada parecem ser camponeses do período medieval. Trata-se de uma cena bastante conhecida do Star Wars Uma nova Esperança, o momento em que a tia Beru chama o Luke para comer e tomar o leite azul mais famoso da galáxia. Mas, e os camponeses do medievo? Vamos falar deles daqui a pouco.

No século XXI, sabemos a quantidade e a variedade de alimentos que são produzidos e depois consumidos, não só os que chegam até a nossa mesa, mas na mesa da nossa comunidade, cidade, país,. e até mesmo em outros lugares do globo, não é mesmo? Mas, e no período medieval, se tinha uma variedade de alimentos disponível e acessível para todos? a resposta é sim, mas não pra todos, assim como é hoje.
Em Portugal, no século XIII, XIV e XV, cultivava-se um pouco de tudo em todos os lugares. No sul se cultivava o trigo, no norte tinha o milho, a aveia, já no centro sul, a vinha e o olival. Outro alimento bastante presente nas terras portuguesas são as frutas, dispersas por toda a parte entre o sul e norte, que são as: pereiras, macieiras, cerejeiras, pessegueiro, ameixoeiras, nogueiras e tantas outras. Se cultivava também em todo o país, hortaliças e legumes dos mais variados como: as favas, ervilhas, alhos, cebolas, cenouras, espinafre e outras mais. No que se diz respeito as carnes, se tinha uma grande variedade, sendo dos animais vindo da criação domestica, caça e pesca. Os ovinos representavam boa parte dessa carne consumida e era aquela mais próxima do camponês, assim como os caprinos e suínos, e as aves de capoeira (galinhas). O consumo da carne bovina também ocorria, mas em menor frequência pois o boi servia melhor nas plantações, e só era abatido quando o animal não podia mais trabalhar nos campos, diferente do porco que era criado exclusivamente para o consumo. Na caça, se adquiria as carnes dos cervos, veados, javalis, coelhos, lebres, e outra variedade de aves como os gansos, pardais, pombos, perdizes, gralhas, cordonizes dentre outras. Na pescaria se podia obter o atum, as sardinhas, cetáceos e outros peixes de rio como os salmões, lampreais, trutas, tainhas dentre outras. Até aí já temos um panorama dos alimentos produzidos e consumidos pelo português medieval, mas havia outros alimentos bastante comum entre os mais pobres nesse período, o pão e o vinho.
Havia duas refeições a ser feitas pelos camponeses, uma delas é o jantar que ocorria entre onze horas e meio-dia, e a ceia, que ocorria ao anoitecer, claro, no intervalo dessas duas refeições havia outras refeições ditas mais “ligeiras” que poderia ser feita como vinho. Em geral, o local da refeição era muitas vezes a lareira da casa, ou nos campos, já os comerciantes e artesão, se alimentavam no seus locais de trabalho. Algo que podemos subentender é que, as condições das famílias do período medieval eram diferentes, e isso se mostra tanto da qualidade dos alimentos como na quantidade deles e no seu acesso. O camponês pobre, se alimentava de um pão escuro feito com resto de farinha de péssima qualidade acrescentada com outros farelos, já o vinho, vinha de uma colheita própria, e quando acabasse, se podia compra-lo no mercado. Os nobres. não só tinha acesso a uma grande quantidade e variedade de alimentos como também a qualidade deles.
Na mesa da nobreza se tinha de tudo, das variedade das carnes, das frutas e legumes, alimentos pastosos, o pão e o vinho. A mesa para o nobre, era uma forma de mostrar o status da família perante os convidados, demonstrada na fartura, na qualidade e na postura à mesa. O que parece muito com uma cena de um filme que eu acho que você já deve ter visto… hehe
NewWelldocumentedCooter-size_restricted.gif
A nobreza também se dava a oportunidade de produzir sua normas de conduta e postura à mesa, algo que nasce nos mosteiros e depois espalha-se nos castelos da nobreza. Para a nobreza, sobrava tempo para praticar tais hábitos perante a comida e convidados, diferente dos camponeses que mal tinha tempo e mal tinham comida. Falemos um pouco desses comportamentos à mesa, que tinha desde a disciplina perante a comida, a postura corporal na mesa, quanto ao ato de comer com as mãos limpas, de pegar apenas o alimento que está próximo, de não palitar os dentes ou limpar as unhas durante a refeição, de sempre que beber o vinho esvaziar o copo e depois a higienização das mãos em agua perfumada. Outro aspecto da mesa do nobre, ocorria durante e após a refeição, onde acontecia espetáculos com músicas, cantos, danças, acrobacias e malabarismo, as músicas, estas cantadas geralmente por Trovadores, dos quais você já os conhece da última postagem, não é mesmo?. No que se diz respeito aos camponeses, sobre modos à mesa ou alguma atração durante e após a refeição, é pouco provável que os tivera, pois diante da comida, e após um dia inteiro na lavoura, pudessem se conter em não comê-la o mais rápido que possível já vindo com tanta fome e pouca variedade a mesa. Na reunião sempre feita perante a lareira, lugar e espaço de sociabilidade, o camponês pobre, podia se aquecer no inverno, sem os espetáculos ante e durante a refeição,  no máximo, contavam-se histórias de tempos passados descritas por alguém mais velho.

Mas e aí, gostou de conhecer um pouco da alimentação na idade média, seus costumes e tradições? Eu espero que sim!
Então diz aí, o que você acha que herdamos da culinária portuguesa medieval, o pão? o vinho? a carne no espeto? algo mais? comenta aí embaixo se você encontrou algo, e já deixe sua crítica, dúvidas ou sugestões..


E você, já tomou o leite verde hoje? não? então faz que nem o Luke Skywallker, pois forte na força esse leite é. hehe
luke.gif

Medieval be with you! 
Always!

 

 

 

 

Referências bibliográficas:
GONÇALVES, Iria. A alimentação. In: MATTOSSO, José (org.). História da Vida Privada em Portugal – A Idade Média. 2 ed. Lisboa: Círculo de Leitores, 2011. p. 226-259.

 

 

 

 

 

A heresia na Idade Média

Se você seguiu a dica cultural de filme para assistir no final de semana lá na última postagem, já sabe que cena é aquela (Gif do Twitter) mas caso não, é mais uma cena interessante do filme Star Wars Uma Nova Esperança em que na reunião Moff Tarkin, Darth Vader e os almirantes discutem sobre o problema dos rebeldes na galáxia. Vader, ao ser questionado por um almirante sobre a força e a devoção que ele tem da antiga religião, usa a força para estrangular o almirante, e ao fazer isso, diz uma frase clássica da franquia Star Wars: “Eu acho a sua falta de fé perturbadora.” Então, peguemos apenas esse trecho da fala de Lord Vader para fazer aquela boa e velha analogia com o período medieval. Nesta era começava a surgir alguns movimentos que iriam incomodar a Igreja Católica fazendo com que ela organizasse cruzadas e criasse, nas palavras do historiador Emmanuel Le Roy Ladurie: A famigerada Inquisição, algo que perdurou nos séculos seguinte. O que viria perturbar a Igreja Católica eram as Heresias. Vamos entender um pouco sobre esses importantes movimentos que vão nos ajudam a descobrir mais sobre o período medieval.

Mas o que seriam então esses movimentos ditos Heréticos? (Heresia)

Como bem sabemos,  a idade média tinha como base religiosa o catolicismo da igreja romana ou a ortodoxia da igreja grega do oriente, nos seus primórdios não houve nenhum movimento dito heréticos. Mas, após o ano 1000, começaram a aparecer tendências heréticas em algumas partes da Europa como a França, em especial o sul da França, a Alta Itália, Alemanha, Inglaterra e a península Ibérica. Digamos que, lá na baixa idade média, esse termo se dirigia para formas de pensar de algumas pessoas que não seguiam o pensamento ortodoxo cristão, ou seja, essas pessoas eram cristãs (se consideravam cristãs) mas não seguiam a estrutura nem a doutrina imposta pela Igreja Católica. Elas tinham formas de pensar diferente ou de criticar os diferentes aspectos da doutrina como: os dogmas, ações, liturgias, dízimos, obediência, batismo dentre outras. Para a Igreja pensar diferente era ato herético que não podiam ser tolerados e que podia ameaçar o seu domínio e contaminar toda a Europa.
Após essa breve explicação sobre o pensamento herético, falemos então dos grupos que não seguiam a doutrina católica, dentre estes estão: O Arianismo, o monofisismo e o cisma iconoclasta vindo da igreja do oriente, os Valdenses, Wiclef e Huss, os Albigenses, e os Cátaros de Montaillou, estes últimos, importante pois por sua causa foi movida uma cruzada e depois veio a criação de um tribunal Inquisitorial.
O cisma da iconoclastia entre as igrejas ocidental e oriental, ou seja, a veneração das imagens, foi uma heresia que atingiu a igreja oriental. No monofisismo oriental, os  adeptos acreditavam na figura apenas espiritual de Jesus e não na humana. Já os arianos acreditavam apenas na figura humana de Jesus, isso claro, para a igreja do ocidente era claramente um ato herético pois na concepção ocidental, Jesus foi tanto humano como espírito. Na iconoclastia, os bizantinos acreditavam apenas em Deus como manda a bíblia e não nos santos e as imagens destes, daí surgiu o movimento de quebra das imagens (Ícone = imagem + clastia = Quebra) algo que a igreja ocidental considerou como mais um ato de heresia dos bizantinos.
Sobre os Valdenses, eram pequenas comunidades que espalhavam-se pela Polônia e Hungria no século XII. Esse grupo pregavam a pobreza e tinham vários aspectos do movimento posterior aos franciscanos, e organizada pelo comerciante Pedro Valdo criou uma eclesiástica própria, tendo Cristo como supremo e contrário a hierarquia. E claro, isso para o papa Inocêncio III (Já mencionado em postagens anteriores) eram movimentos contrários a doutrina católica, ao qual ele fez mover esforços para reduzir esse movimento, e em 1184, os Valdenses foram incluídos numa grande condenação de hereges e perseguidos pela inquisição.
Wiclef e Huss, era um movimento que criticava a igreja corrupta da época, e pregavam uma igreja de alma santas e eleitas por Deus, e consideravam sua igreja como a “verdadeira” negavam a confissão, rejeitavam os sacramentos e a unção dos enfermos.
Os Albigenses era um termo que se aplicava aos habitantes dos sul da França (Hereges) nos séculos XII e XIII. Podemos mostrar vários aspecto do pensamento dos albigenses, tais como: a negação do purgatório, inferno e ressurreição, a proibição do matrimônio, consumo de leite, ovos e carne, praticas essas em que os crentes se comprometiam a cumpri-las sobre pena de morte. Claro, a igreja católica viu isso com abominação e logo tratou de dar um “jeito” nesses hereges. Este caso considerado tão grotesco pela igreja que o Papa Inocêncio III, após falha na conversão dos hereges, autorizou em 1208 uma cruzada contra estes que se caracterizou pela extrema crueldade dos cruzados.
Em Montaillou, residia os habitantes Cátaros, este foi um dos movimentos mais importantes e que teve maior repercussão do período medieval, isso lá pelo século XIV. O dualismo herdado dos bogomilos, estruturou o pensamento dos habitantes da aldeia de Montaillou, a oposição entre o Deus bom e principio do mal, sendo por eles, na matéria, no corpo, na sexualidade. Dentre algumas atitudes consideradas heréticas pela Igreja Católica que foram cometidas pelos habitantes de Montaillou, e que foram registrado pelo Bispo Inquisidor Jacques Fournier (o Darth Vader lá do Twitter) que foi até o vilarejo colher informações sobre eles e tinha como missão por ordem em tudo aquilo. Em seus registros, presente na obra do Emmnuel Le Roy Ladurie, tem relatos que um comerciante diz que o papa era o diabo, o próprio satã, o rei da França era o segundo diabo, o bispo o terceiro, e o inquisidor o quarto. Fournier, traz relatos de sodomia, incesto, blasfêmia, e rebeldia contra os dízimos, orgias, não jejuavam na quaresma, criticas a ganância do papa e da igreja, o que para o bispo Fournier seria pecado, para os Cátaros não era, e para os cátaros, se concretizava apenas como um ato vergonhoso. Essas são apenas algumas peculiaridades do pensamento dos habitantes da pequena aldeia de Montaillou, o que preocupava a igreja católica caso essas ideias se espalhassem por toda a Europa, e com o Santo Oficio da Inquisição formalizado, mesmo restando pouco hereges, a perseguição prosseguia nos  séculos seguintes.
Eis aí um pouco da mentalidade de alguns grupos da idade média, claro, não cabe a nós julga-los pelo olhos que temos hoje, e sim, compreender as formas de pensamento desses grupos, e a partir daí, entender um pouco sobre as relações entre as pessoas e suas formas tão distintas de compreender o mundo em que viviam.

Por ventura, você lembra de alguém que foi acusado de um “ato herético, incesto…” em alguma série? hahaha.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Espero que tenha curtido o tema e a explicação sobre a heresia na idade média, e claro, deixe seu comentário, seja uma critica, elogio ou sugestão.
Mas e aí caro padawan, sentiu algum distúrbio na força? haha.

Maydieval Be With You!

 

 

 

 

 

Referências bibliográficas:
LE ROY LADURIE, Emmanuel. Montaillou, povoado occitânico, 1294 – 1324. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.
QUEIROZ, Tereza Aline Pereira de. As heresias medievais. São Paulo: Atual Editora, 1988.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os trovadores da Idade Média

E aí, tudo bem?

Pois bem, vamos entender um pouco sobre essa forma de expressão artística e cultural que surgiu na idade média lá pelo século XII no sul da França, ou mais precisamente falando, na região de Provença. Mas antes, claro, vamos explicar aqueles “trovadores esquisitos” lá do Twitter. Bem, na real eles são trovadores coisa nenhuma mesmo! E são familiares a você, mas caso não conheça, estes são os famosos alienígenas que tocam lá na cantina de Mos Eisley em Tatooine, e é mais uma cena icônica do filme Star Wars Uma Nova Esperança lançado em 1977.  Pois bem, dessa cena fazemos aquela simples analogia, dos trovadores do período medieval e os músicos da cantina de Mos Eisley, um lugar exótico da galáxia.
Dito isto, vamos então adentrar no assunto principal, os trovadores, segundo o historiador José d’Assunção Barros, são todos os poetas-cantores que percorriam a Europa medieval, levando sua poesia e o seu modo de vida a vários ambientes, como praças públicas, universidades e as cortes, figuras essas que na visão de Le Goff, ganharam até status de heróis no imaginário europeu e na cultura da França.

Mas, era sobre o que essas cantigas e poesias que os trovadores faziam?

Alguns trovadores tinham sua especialidade.  Construíam suas composições consoante o momento em que a sociedade passava ou que já tinha passado.  Nesse sentido tinha aqueles que faziam seus versos pra difundir mitologias composta por deuses guerreiros, os eddas, época das invasões nórdicas ao mundo românico, outros eram contratados para louvar dinastias reinantes e enaltecer o prestígio desses nobres. Outros trovadores se empenhavam em produzir cânticos para enaltecer os santos ou a Virgem Maria, o que já mostra a influência da religião católica na produção artística da época. Ainda haviam alguns que eram especialistas em cantigas de Amor, idealizando novas formas de Amor, e estes, trovadores cortesãos, frequentavam os palácios do século XII. Amizade e a guerra eram temas altamente evocados nas cantigas. Alguns, como os goliardos, dedicavam suas canções a vida cotidiana e mundana no século IX, bem como canções  que satirizavam a sociedade que eles simplesmente desprezavam, geralmente sátiras e indiretas para as pessoas usando sempre o duplo sentido.  Nessas cantigas, a mulher ganhava os centro da poesia, como é o caso das cantigas de amizade, onde o tema lamentação feminina pela falta de um amado. Nas cantigas de maldizer, os trovadores procuravam fazer sátiras diretas a determinadas pessoas. Muitas vezes as pessoas eram agredidas verbalmente, mas a pessoa satirizada nem sempre apareciam de forma direta na cantiga. Nessa época, as poesias eram feitas para serem cantadas ao som de instrumentos musicais. Geralmente, eram acompanhadas por flauta, viola, alaúde, e daí o nome “cantigas”. A influência desse movimento artístico vai contribuir para ao marco na produção literária de Portugal no século XII, bem como na França, dita como o local de origem dos trovadores.
Mas me diga aí, você conhece algum grupo de “trovadores” poetas que fazem cantigas sátiras sobre a sociedade ou afins? Eu conheço esse! haha

anigif_8b104c7d3af98f086d4b53fd2ffdd4ca-0.gif

Mas e você caro padawan trovador, gostou dessa pequena introdução sobre os trovadores no período medieval? então deixa um feedback com sugestões, críticas ou elogios.

Até mais!!

Maydieval Be With You!

Always!

 

 

 

 

 

Referências:

BARROS, José D’Assunção. A Arena dos Trovadores. Niterói: UFF, 1995, dissertação de mestrado.

LE GOFF, Jacques. Heróis e maravilhas da Idade Media. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009.

A Cruzada do Comércio, e a completa cisão entre católicos e ortodoxos.

E aí padawan medieval, tudo bem?

Bem sabemos que, aquele do gif postado no nosso Twitter não é o Papa Inocêncio III, mas sim um personagem icônico do universo cinematográfico Star Wars, chamado Palpatine (Darth Sidious) que eu acredito que você já conhece. Caso não conheça, esta cena se passa no último ato do filme, Star Wars a vingança dos sith, de 2005, em que Darth Sidious manda o comandante Cody executar a Ordem 66 que expurgaria quase todos os Jedi da galáxia,  iniciando assim o Império Galático. Sobre o tema, e essa cena, faremos então uma simples analogia em que o Papa Inocêncio III e sua vontade de recuperar a Terra Santa (Jerusalém) das mãos dos mulçumanos após findada a III cruzada, inicia a Quarta Cruzada em 1202, e o Darth Sidious querendo restaurar o poder dos Sith perante a galáxia iniciando com a Ordem 66. “Mas e aquela parada em Constantinopla antes de seguir rumo a terra santa?” Pois bem, durante essa expedição militar, os interesses mudaram o rumo da conquista, e o que seria uma guerra santa contra o inimigo de fé, passou para uma guerra contra o próprio irmão de fé, então esquecemos por hora os Jedi e os Sith, e vamos entender melhor essa história.
Primeiro, vamos falar um pouco sobre essa Constantinopla a grande, capital do império Bizântino? Pois bem, a cidade grega de Bizâncio foi refundada em 330 pelo imperador Constantino com o nome de Constantinopla. Durante a maior parte da idade média a maior cidade da cristandade, centro de um império detinha dois terços da riqueza do mundo. Compreensível, portanto, que o Ocidente, cujas cidades só voltariam a se expandir lentamente a partir dos séculos X e XI olhasse com reverência e inveja para Bizâncio e que o império olhasse com desdém e desinteresse para o ocidente. Bizâncio detinha um grande prestígio no Ocidente, seja ele político, econômico ou religioso. Porém, logo começam as rivalidades entre Ocidente cristão e Oriente ortodoxo, pois se originam os embates teológico e políticos. Do ponto de vista político, tem o episódio da intervenção carolíngia na Itália que resultou na queda de Ravena onde o papa Estevão II não obteve o apoio do imperador Constantino IV (do Oriente) contra os lombardos, então, para recuperar Ravena, o papa Estevão volta-se para Pepino, o breve, e Bizâncio vai ver esse ato como um traição. Um fato que gerou mais desconfiança foi a falsificação do documento elaborado em Roma ao qual dizia que quando Constantino partiu para fundar Constantinopla, teria transferido ao papa Silvestre todo o poder sobre Roma e a Itália, fazendo assim com que todos os bizantinos fossem excluídos da península e somente o papa terá direito a sucessões e receptor de insígnias imperiais. Um acontecimento já abordado aqui e você certamente vai lembrar,  foi a coroação de Carlos Magno como o imperador de todo o mundo cristão, ao qual Bizâncio considerou um ato de rebelião. No âmbito da religião, são vários cismas, desde as disputas das igrejas pela conversão de povos conquistados, a incompreensão derivada da língua onde a igreja do Oriente fala o grego e a igreja ocidental fala o latim, a crise do movimento iconoclasta e as excomungação mútuas entre os papa e os patriarcas.
Agora que temos explicado um pouco desse cenário conturbado entre o Ocidente cristão e o Império Bizântino do Oriente (cristão ortodoxo grego), podemos agora falar da Quarta Cruzada ou a Cruzada do Comércio, que de início, tinha como objetivo reconquistar Jerusalém, mas antes de cruzar com os mulçumanos, o jogo de interesses muda quando em Zara, o exército dos Cruzados recebem o príncipe bizantino Aleixo IV que promete riquezas para o exército cristão avançar contra os mulçumanos, em troca, os Cruzados ajudariam a colocar novamente no trono o seu pai, o imperador Isaac II, bem como garantir uma reconciliação entre as duas igrejas e isso agradou os comandantes dos Cruzados que partiram para Constantinopla. Os Cruzados colocam Isaac II no poder novamente, mas, Isaac II Ângelo foi desprezado por seus súditos, era acusado pelos bizantinos de reinar para os latinos. Foi incapaz de pagar o dinheiro que o filho havia prometido aos cruzados. Em janeiro de 1204, Isaac II Ângelo foi deposto e assassinado junto com seu filho Aleixo IV, pela população enfurecida e revoltosa. Foi substituído por Aleixo V Ducás, que combateu os cruzados e logo após o levante, o que se seguiu foi uma carnificina. Na sexta-feira 13, Constantinopla foi tomada. A antiga e até então  inconquistada capital do Império Romano do Oriente, foi submetida à chacina de seus habitantes e à pilhagem de seus tesouros. Nas ruas o fio da espada dos cruzados manchava o chão com o sangue dos cristãos ortodoxos. Cadáveres se espalhavam pelos quatro cantos da cidade. Mulheres foram violadas, expostas nuas pelas ruas, exploradas e humilhadas pelos cristãos latinos. Aquela sexta-feira jamais sairia da memória dos cristãos ortodoxos. Desde então, toda sexta-feira treze foi vista como um dia de agouro. Tesouros  e o império bizantino divididos e Balbuíno de Flanders é coroado imperador na catedral de Santa Sofia. Nenhum cruzado que havia partido para ajudar os seus irmãos cristãos a lutar contra o domínio sarraceno, chegou a Terra Santa. Permaneceram para usufruírem-se das riquezas arrancadas da carcaça do Império Bizantino. O Império Bizantino tornar-se-ia um império latino. Constantinopla jamais se iria recuperar deste golpe, nem quando voltou a ser grega em 1261. Com esses ataques frequentes, pestes,  Constantinopla passou a ficar cada vez mais isolada, com domínios territoriais mais escassos e com as suas defesas fragilizadas. Essa vulnerabilidade foi bem aproveitada pelo mais poderoso império que havia despontado no mundo islâmico, o império otomano. Em 29 de maio de 1453, acontece então a Queda de Constantinopla, o império dessa vez cai não pelas mãos dos Cruzados, mas sim por um jovem Turco-“Tatooineano” ops, quero dizer… jovem turco otomano, que atravessou as grandes muralhas bizantinas e conquistou de uma vez por todas a capital do império bizântino, o jovem Mehmed Skywall…  ops, Mehmed II,  O Conquistador.

Q81Qy.gif

E aí, gostou da nossa explicação sobre império bizantino, Constantinopla e a Quarta Cruzada? Então comenta aí embaixo o que você achou, deixe sua sugestão, crítica ou elogio, e claro… Maydieval Be With You.

Always!

 

 

 

 

Bibliografia:
LE GOFF, Jcques; SCHMITT, Jean Claude. Dicionário temático do ocidente medieval. Edusc, 2002.

 

O imaginário do medo na Idade Média

Olá, tudo bem?

Aposto que você sentiu aquela nostalgia do tempo em que jogava muito esse jogo clássico do Super Nintendo, não é mesmo? (Imagem do Twitter) Mas, caso não conheça, Super Mário World é um jogo desenvolvido e publicado pela Nintendo como um título que acompanhava o console Super Nintendo Entertainment System e fez a alegria de muita gente entre as décadas de 1990 – 2000, seguindo com novos lançamentos até hoje. O objetivo do jogo é você explorar os 9 mundos, salvar a princesa das garras do Bowser e libertar os setes Yoshis cativos nos ovos, tendo que enfrentar vários desafios, um deles, está na foto postada no Twitter, o Mário enfrentado os fantasmas do castelo (mas como esses fantasmas eram chatos, hem?). Esse tema, Fantasma e o Medo, que vamos abordar aqui. É uma abordagem necessária para entender um pouco do imaginário do homem medieval e como isso impactava no seu modo de ver o mundo naquele período, então, vamos lá!
Hoje, no século XXI, sabemos os medos que nos afligem na vida em sociedade, nos centros urbanos se pode falar em medo de ser roubado, de morrer, de perder alguém querido, ou de ser perder, da solidão, de alguma doença incurável, das catástrofes e tantos outros males causados direto e indiretamente pelo homem, mas, e o homem no período medieval, já se perguntou o que ele temia? Se os fantasmas (Big Boo, boos) te deu medo quando jogava o Super Mário ou eram chatos, a ideia de fantasma, também tirava o sossego das pessoas na idade média, e influenciava na sua forma de entender o mundo físico e sobrenatural.
Para nós, entendermos um pouco sobre o medo que as pessoas tinham na idade média, temos primeiro que entender como era essa Europa medieval, então, citando o exemplo de Portugal do século XII, se tinha diversos agrupamento de pessoas, casa dispersas que com o tempo foram se agrupando em volta de um castelo e ambos se fortificando com muralhas, eram comunidades mal armadas tecnicamente, que vivam em constante tensão causadas pelas invasões “Bárbaras” (o termo “Bárbaro” será um tema de discussão em uma outra postagem), dos inimigos de outra fé (Os mouros, muçulmanos da Mauritânia), de casas inimigas lutando pela soberania, eis aí um exemplo dos medos, neste caso, dos povos que antecedem os que hoje são os portugueses.
Antes de adentrar no tema Fantasma, falemos um pouquinho de outro medo, dessa vez um medo coletivo, ou seja, deixada uma população inteira em estado de nervosismo e medo. A peste, fora na Europa e em torno da bacia mediterrânea entre os séculos VI e VIII, com uma espécie de periodicidade dos surtos epidêmicos cujos os picos se davam a cada dez ou doze anos. A “morte negra” atingiu uma grande parte da Europa ocidental, e decorrer do século XIV atingiu em 1359 a Bélgica, em 2360 na Inglaterra e na França, voltando na Inglaterra em 2369 e depois volta e devasta a França em 1370, na Itália ocorre um sequência de surtos tendo seus grandes novos surtos adentrando nos séculos XV e XVI, e nem o Oriente escapou desta que atingiu Constantinopla em 1347. A peste era severa e levará muitas vidas na Europa, chegando a dizimar grande parte de uma população, devastava as cidades e deixada em estado de pânico coletivo quando esta se abatia sobre uma cidade ou uma região, tema esse que terá uma abordagem mais esmiuçada, esta aqui é apenas para mostrar, superficialmente, um dos medos que as populações do medievo sofriam desde a alta idade média a baixa idade média e adentrando nos séculos seguintes.
Falemos agora dos tais medos de fantasma ou como surfe esse medo dos mortos entre os vivos. Em uma cultura eminentemente cristã, a sociedade medieval considerava a possibilidade de um retorno de certos defuntos para visitar os vivos ou aqueles vivos com quem eles haviam estabelecidos laços julgados inalteráveis mesmo além da morte. Então, é a partir do ano 1000 e nos séculos XII, que os relatos se tornam frequentes entre os camponeses, padres, imperadores, contudo, os relatos de fantasmas se multiplicam, principalmente em função do do desenvolvimento da liturgia dos mortos, que estruturava uma complexa rede de trocas materiais e simbólicos entre o morto, seus herdeiros, a igreja e os pobres. Vários relatos de aparecimentos de mortos que acabara de morrer, voltando para dizer algo sobre os vivos, anunciar mortes ou exigir as promessas feitas em vida, descritos como invisível, que emitem som estranho onde nada lembra um humano, murmúrios, ruídos.
Relatos de imperadores que ouviam passos em seus castelos, mas, a maioria dos relatos de fantasmas vem dos sonho, em que as aparições costumam ocorrer durante o sono, configurando uma experiência mais subjetiva. ainda há relatos de visões de aparições coletivas, uma tropa de mortos ou exércitos dos mortos, exércitos de clérigo, cavaleiros e monges, dentre estes tinha gigantes, anões cuja a cabeça era enorme, nobres, padres, mortos recém falecidos, alguns carregando armas ardentes, repletos de pregos ardentes em seus corpos, o que deixavam que viu tal coisa, terrivelmente horrorizado. No entanto, a difusão mais ampla dos relatos de aparições de fantasmas no corpo da sociedade só ocorreu no século XII, através de pregadores cistercienses.
Mas, e aí pequeno gafanhoto medieval, gostou de saber um pouco mais sobre a cultura da idade média, seus medos e temores? Espero que tenha gostado dessa pequena introdução do imaginário do medo do homem medieval.
Vai aqui nos comentários e diz o que achou. Você pode ajudar nesse tema colocando sua crítica ou sugestões, pois você tem papel ativo nessa aprendizagem.

Há! Se por acaso você também acabar tendo visões de um exército dos mortos, assim como os padres do período medieval tiveram… bem, acho bom procurar um tal Jon Snow, pois… The Winter is Coming! Hehehe!

Este slideshow necessita de JavaScript.

Maydieval be with you!

 

 

 

 

Referência Bibliográficas:

DELUMEAU, Jean. A história do medo no Ocidente. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

Carlos Magno, o imperador de todo o mundo cristão.

Olá caro padawan! Tudo bem?

Você deve está se questionando… “Na postagem do Twitter, aqueles não são o Papa Leão III e Carlos Magno!” É o Rafiki erguendo o pequeno Simba para todo o reino. Então, o que eles tem haver com essa história do Papa Leão III com o imperador franco Carlos Magno lá no período da alta idade média?” Pois bem, de fato é o Rafiki e o Simba, mas com essa cena podemos fazer uma pequena analogia desse momento com o acontecimento da coroação de Carlos Magno pelo Papa, e é isso  que vamos ver a seguir.
Antes de tudo, para entendemos melhor essa história, vamos relembrar essa cena clássica do filme Rei Leão, lançado em 1994. Vamos fixar nesse momento, uma cena linda em que o Rafiki ergue o recém nascido Simba e o eleva ao alto, mostrando a todo o reino o seu futuro Rei, ao fundo, Scar (Tio de Simba) olha com uma cara de poucos amigos. (Não esqueça do Scar, mais a frente, ele também vai ter papel nessa história, fique atento!)
Se pensarmos bem, a mesma pompa que o Simba recebe ainda jovem, como o futuro Rei de todo o Reino, podemos fazer uma analogia ao momento em que o Papa Leão III coroa Carlos Magno como o imperador de todo o mundo cristão, sendo assim, nesse primeiro momento, vamos falar um pouco desses dois personagens históricos e a sua relação de cristandade assim como o contexto desse acontecimento.
Carlos I, nascido em 742, filho mais velho de Pepino, O breve, subiu ao trono franco em 768, após a morte deste. Neste tempo a Europa ainda era uma região inóspita e instável, repartida em varias unidades políticas “bárbaras”. Em uma tentativa de reorganização territorial Germana, Carlos Magno inicia suas expedições militares de conquista, usando táticas que mesclavam massacre e conversão forçada ao cristianismo sobre os derrotados, e executando aqueles que não aceitavam. Com uma política voltada para o expansionismo militar, Carlos Magno expandiu o império, além dos limites conquistados por seu pai, Pepino, o Breve. Conquistou a Saxônia, Lombardia, Baviera, e uma faixa do território da atual Espanha.
Desta maneira deu um aspecto de cruzada a favor da Igreja ás suas lutas. Assim alargou consideravelmente o horizonte da sua influência espiritual. Então, em 25 de Dezembro do ano 800 d.c, o papa Leão III coroa o então conquistador carolíngio, ao qual, concedeu a Carlos Magno a qualidade de legitimo herdeiro dos imperadores romanos; restabeleceu o Império Romano do Ocidente, transferindo a dignidade imperial para o rei dos Francos; unificou o Ocidente sob o mesmo poder político e também o mesmo poder espiritual – o do Cristianismo e dos papas de Roma.
Contudo, esse acontecimento, de restabelecimento do império (Romano) no ocidente sobre o poder de Carlos Magno, a princípio, não foi uma ideia do conquistador Franco, mas, uma estratégia do pontífice (Papa Leão III) visando tirar vantagem em dar a coroa imperial a Carlos I.  No momento, o pontífice estava preso e sendo perseguido pelos inimigos de Roma e precisava ter a sua autonomia de volta, incontestável, legitimada e que a impusesse perante a todos por meio de um imperador. Com isso, tornava Carlos Magno o imperador de todo o mundo cristão, incluindo o Oriente Cristão de Bizâncio, lutando contra a heresia e a iconoclastia, fazendo a igreja romana atingir a supremacia. Mas nem todos concordaram com essa escolha de Carlos Magno como imperador do mundo cristão, não é mesmo Scar? (Quero dizer… Bizâncio)
4dcfd28205998763e867eeeed3d92c4f.gif
Mas pera lá, Bizâncio? Iconoclastia? Heresia? Oriente Cristão? Ficou curioso pra saber o que essas palavras e conceitos significam? então, fique ligado aqui no site e no Twitter da página (https://twitter.com/MaydievalYou), pois em breve, abordaremos esses temas e explicaremos essas particularidades da cultura e da religiosidade no período medieval.

E aí jovem padawan, espero que tenha gostado da explicação, caso tenha alguma dúvida, crítica ou sugestão, vai aí embaixo nos comentários e deixa seu feedback. Em breve, voltaremos com mais um conteúdo sobre um período não muito muito distante…

 

 

Maydieval Be With You!!!

 

 

Bibliografias:
LE GOFF, J. A civilização do Ocidente Medieval. v. 2. Lisboa: Editorial Estampa, 1995. [original: 1964]